Capítulo 1 — O peixe estranho
Paggo tinha quatorze anos e vivia em uma casa na Rota 220, em Sinnoh.
Ele ainda não sabia o que queria fazer da vida.
Enquanto muitos jovens sonhavam em se tornar grandes treinadores Pokémon, Paggo não tinha certeza nem mesmo se queria ser um treinador. Na verdade, ele não gostava muito de Pokémon.
Por isso, decidiu experimentar diferentes caminhos para descobrir qual ideal queria seguir.
Naquele dia, resolveu tentar ser pescador.
Sentado às margens de um lago da Rota 220, Paggo segurava sua vara enquanto observava tranquilamente a água.
Até que a linha se mexeu.
— Peguei alguma coisa!
Paggo puxou a vara com força.
Depois de alguns segundos, conseguiu tirar da água um Pokémon que o deixou confuso.
Ele parecia um Carvanha.
Mas havia algo diferente.
Seu corpo possuía detalhes verdes e cianos, e três dentes apareciam na parte da frente de sua boca.
Paggo não sabia que aquela coloração significava que ele era Shiny.
Para Paggo, era apenas um Carvanha estranho.
— Você definitivamente não é normal...
O Pokémon se debateu.
Paggo percebeu que ele precisava de água e decidiu levá-lo para sua casa.
Na casa havia um grande aquário.
Paggo colocou o Pokémon dentro dele.
Nos primeiros dias, os dois apenas se observavam.
Com o tempo, começaram a se acostumar.
O Carvanha nadava até o vidro sempre que Paggo chegava.
Paggo passou a alimentá-lo.
Depois começou a brincar com ele.
Sem perceber, começou a gostar da companhia daquele Pokémon.
Mas ainda não o considerava seu Pokémon.
Ainda não.
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Capítulo 2 — O velho
Alguns dias depois, Paggo estava diante do aquário quando percebeu uma silhueta atrás de si.
Era um homem velho.
Ele tinha aparência gentil, usava roupas simples e carregava uma bengala.
Mas Paggo sentiu algo estranho.
Uma força.
Uma pressão que não combinava com a aparência daquele homem.
O velho olhou para o aquário.
— Belo Pokémon.
Paggo ficou desconfiado.
O homem pediu que Paggo entregasse o Carvanha.
Paggo recusou.
O velho não insistiu.
Apenas sorriu e foi embora.
Paggo caminhou até a janela e afastou a cortina.
Então viu algo estranho.
O homem que saía da casa era muito mais alto.
Não usava bengala.
Sua postura era firme.
Seu rosto era sério.
Paggo percebeu que aquela aparência de velho havia sido uma ilusão.
O homem era Berus.
Um ex-integrante da Equipe Galáctica.
Berus havia usado Hipno para criar aquela aparência.
Depois da queda de Cyrus, ele ficou desempregado e sem lugar para morar.
Encontrou um antigo esconderijo abandonado da Equipe Galáctica em Veilstone.
Como ninguém havia ocupado o local, Berus simplesmente passou a viver ali.
E continuou seguindo os ideais de Cyrus.
Agora, porém, ele estava interessado naquele estranho Carvanha.
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Capítulo 3 — A Dusk Ball
Alguns dias se passaram.
Paggo e o Carvanha ficaram cada vez mais próximos.
Certo dia, a campainha tocou.
Ding-dong.
Paggo abriu a porta.
Não havia ninguém.
No chão estava uma Dusk Ball.
Paggo pegou a esfera.
— Quem deixou isso aqui?
Atrás dele, o Carvanha havia se aproximado do vidro.
Seus olhos estavam fixos na Pokébola.
Ele parecia extremamente animado.
Paggo olhou para a Dusk Ball.
Depois para o Pokémon.
— Você quer isso?
Carvanha continuou encarando a esfera.
Paggo ficou alguns segundos em silêncio.
Ele sabia que capturar um Pokémon era algo importante.
Mas acreditava que aquilo seria melhor para o próprio Pokémon.
Ele não achava que era certo para ele. Ele sabia que era certo, mas não para ele. Para o Pokémon.
Paggo lançou a Dusk Ball.
Carvanha foi capturado.
A partir daquele momento, os dois ficaram ainda mais próximos.
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Capítulo 4 — A testemunha
Alguns dias depois, Paggo e Carvanha estavam brincando no lago da Rota 220.
Carvanha nadava ao redor de Paggo enquanto ele ria e tentava acompanhá-lo.
Os dois estavam felizes.
Nenhum deles percebeu que estavam sendo observados.
Entre as árvores havia um Pokémon estranho.
Um Ferrosaco.
Ele permanecia imóvel.
Estava filmando cada movimento de Paggo e Carvanha.
Cada passo.
Cada brincadeira.
Cada momento.
Mas havia outra criatura observando.
Um pequeno Seedot estava escondido na floresta.
Ele conhecia aquela região.
E sabia que Ferrosaco não deveria estar ali.
Seedot tentou entender o que aquele Pokémon estava fazendo.
Então Ferrosaco percebeu Seedot.
Seedot congelou.
Mas havia algo pior.
Através de Ferrosaco, Berus também havia percebido Seedot.
Seedot sabia que precisava fazer alguma coisa.
E rápido.
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Capítulo 5 — O aviso
Paggo e Carvanha começaram a sair da água.
Seedot percebeu sua oportunidade.
Ele saiu da floresta e se aproximou de Paggo.
Começou a fazer sinais.
Apontava para Ferrosaco.
Depois para Paggo.
Depois novamente para Ferrosaco.
Paggo não entendia.
Ele não falava a linguagem dos Pokémon.
— Você quer lutar comigo?
Seedot continuou tentando explicar.
Paggo preparou-se para batalhar.
Carvanha percebeu o que estava acontecendo.
Antes que Paggo pudesse fazer qualquer coisa, Carvanha o colocou sobre suas costas.
Seedot também subiu.
— Ei! O que você está fazendo?!
Carvanha disparou pela água.
Paggo finalmente percebeu para onde estavam indo.
Ferrosaco.
O Pokémon metálico continuava escondido.
A batalha começou.
Carvanha atacou.
Seedot lutou ao lado dele.
Paggo começou a dar ordens aos dois.
Seedot atrapalhava Ferrosaco.
Carvanha aproveitava as brechas.
Os dois trabalharam juntos.
Finalmente, Ferrosaco foi derrotado.
Seu corpo metálico caiu na água.
Splash!
Ferrosaco afundou no fundo do lago.
Paggo olhou para a água.
Mas Seedot chamou sua atenção.
Uma Nest Ball estava no chão.
Paggo pegou a esfera.
Olhou para Seedot.
O pequeno Pokémon não fugiu.
Paggo entendeu.
— Você quer vir comigo?
Seedot se aproximou.
Paggo lançou a Nest Ball.
A esfera envolveu Seedot.
Ela caiu no chão.
Uma vez.
Duas.
Três.
Clique.
Seedot havia sido capturado.
Paggo agora tinha dois Pokémon.
Carvanha.
E Seedot.
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Capítulo 6 — A perseguição
Muito longe dali, no antigo esconderijo da Equipe Galáctica em Veilstone, Berus percebeu o que havia acontecido.
Ferrosaco havia perdido contato.
Paggo tinha derrotado seu observador.
Berus ficou em silêncio.
Então chamou seu Mandibuzz.
— Vamos.
Berus montou no Pokémon e partiu.
Enquanto isso, Paggo estava deixando o lago.
Uma enorme sombra passou sobre ele.
Paggo olhou para cima.
Mandibuzz.
Ele percebeu imediatamente.
Estava sendo perseguido.
— Corre!
Paggo saiu correndo.
Carvanha e Seedot o acompanharam.
Ele não sabia para onde estava indo.
Só queria ficar longe de Berus.
Até avistar uma casa.
Paggo correu até ela.
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Capítulo 7 — O laboratório
Paggo chegou à porta.
Havia uma faixa velha cobrindo uma placa.
O vento soprou.
A faixa caiu.
Por baixo dela estava escrito:
LABORATÓRIO DO PROFESSOR ROWAN
Paggo bateu na porta.
A porta se abriu.
Uma mulher de cabelos loiros apareceu.
Paggo não sabia quem ela era.
Ele havia passado muito tempo em um lugar afastado, sem internet, e só recentemente começara a gostar de Pokémon.
Para ele, aquela mulher era simplesmente uma desconhecida.
Ela olhou para Paggo.
Depois para Carvanha.
Depois para Seedot.
E então para as Pokébolas.
— Você parece estar com muita pressa.
Paggo respirava pesadamente.
— Tem um cara atrás de mim.
A mulher permaneceu tranquila.
— Entre.
Paggo entrou.
Ela o convidou para tomar chá.
A tranquilidade dela e a presença de suas próprias Pokébolas fizeram Paggo se acalmar um pouco.
Ele começou a beber o chá.
Por alguns instantes, tudo ficou tranquilo.
Até que...
TOC. TOC. TOC.
Paggo congelou.
Uma voz veio do outro lado da porta.
— Rowan! Hahaha! Quem é esse? Um professor aleatório?
A porta se abriu.
Berus entrou.
Ele começou a falar sem olhar direito para quem estava diante dele.
— Professor Rowan, eu só vim...
Então parou.
Seu sorriso desapareceu.
Ele reconheceu a pessoa à sua frente.
Cynthia.
A Campeã de Sinnoh.
Berus ficou visivelmente surpreso.
Paggo olhou para os dois.
Claramente havia uma história entre eles.
Mas Paggo não fazia ideia de qual.
Então perguntou:
— Esqueci de perguntar... qual o seu nome?
Cynthia olhou para ele.
— Cynthia.
— Prazer, Cynthia.
Berus olhou para Paggo, incrédulo.
— Você realmente não sabe quem ela é?
Paggo balançou a cabeça.
— Não.
Cynthia segurou um pequeno sorriso.
Berus respirou fundo.
Depois olhou diretamente para Paggo.
— Você está bem, garoto... por enquanto.
Paggo franziu a testa.
— Por enquanto?
Berus não respondeu.
Seu olhar passou pelas Pokébolas de Paggo.
Depois por Carvanha.
E então por Seedot.
Cynthia percebeu.
— Berus.
Ele olhou para ela.
— Não se preocupe, Cynthia. Hoje não.
Berus se virou.
E foi embora.
Paggo acompanhou o homem com os olhos até ele desaparecer.
Depois voltou-se para Cynthia.
— Tá... agora você pode me explicar quem diabos é esse cara?
Cynthia olhou para a porta.
Depois para Paggo.
— Posso.
Ela pegou novamente o bule de chá.
— Mas acho que você vai precisar de mais uma xícara.
Paggo suspirou.
Ele ainda não sabia.
Mas sua busca para descobrir qual ideal seguir havia acabado de colocá-lo no centro de algo muito maior.
E, no fundo do lago da Rota 220, Ferrosaco continuava lá.
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